sábado, 29 de outubro de 2016

Vamos falar de saudade? É difícil lidar com o fim. Difícil te ver pulando fora, saindo pela porta da frente. Difícil ter que conviver com você sem poder te tocar. Está sendo muito difícil te superar. Como faz pra largar o osso quando existe sentimento?

Já tentei me afastar, já pensei em tentar conhecer outros caras. Mas não consigo. Ninguém me empolga, me anima. Ninguém tem o papo legal, o humor idiota, o jeito desengonçado tão parecido com o meu... Quanto você. Saudade de me desenrolar no seu abraço, de segurar na sua mão pesada, de ter você comigo. Pra quem eu corro agora?

Entendo que acabamos. E já aceitei a condição. Mas é errado te querer, mesmo internamente? Entendo que existem pessoas que são destinadas a ficarem juntas. Não importa como. Bom, a gente? A gente não tá destinado.

Eu só posso escrever. As vezes bate aquela vontade de falar com você, mas sei que não posso. As vezes eu preciso conversar com alguém, mas não tem ninguém. Minhas amigas não querem saber mais. Todas as minhas conversas são interiorizadas, e me ouvir dói. As vezes eu choro, por mim, por nós. Eu me desmonto.

Você me magoou. Cada mulher que eu te vi ficando foi como um soco no estômago. E como pode? Como pode eu ainda querer tanto você? Nenhum rancor, nenhuma sensatez. Não é justo. É preciso recomeçar. É preciso desapegar. É preciso deixar você ir.

Chegou a hora de me permitir continuar, de aproveitar um novo amanhã.
É hora de parar de falar de saudade.




domingo, 15 de maio de 2016

''Sou assim, viciada em vícios. Um gosto bizarro e incontrolável por maus hábitos. Gosto de enlouquecer as vezes, seja sóbria ou bêbada - com certeza muito sóbria. Pareço uma chaleira fervendo o tempo todo que por vezes precisa apitar pro mundo baixar o fogo por algum tempo. Mas que sempre volta a ficar quente. Quente pra porra... Não consigo evitar, é a maneira que mais amo de viver minha vida. E não consigo deixar de olhar para as vidas chatas de pessoas mediocres, certinhas, que tentam o tempo todo não surtar pra serem aceitas. No meu bairro, no metrô, nas ruas, na televisão, até mesmo nas baladas onde vão sei lá porque, sentam num canto na hora que chegam e só levantam os rabos na hora de irem embora... No meu mapa de existência mundial elas estão marcadas com a cor cinza e representam as áreas idiotas e nada divertidas. E isso não tem a ver com ser bem louco, com encher a lata e tudo mais. Tenho amigos que nem cerveja tomam e que piram mais que qualquer alcoólatra que conheço. Tem a ver com o jeito que a gente encara a vida, saca? Fico pensando que essas pessoas chatas devem trepar só de luz apagada pra não olharem umas nos olhos das outras e apenas pela necessidade de cagar mais chatinhos no mundo pra cuidar de toda grana que enfiaram a vida toda no rabo de algum banqueiro chato e não tiveram a oportunidade de gastar aos 80 e poucos anos de idade. A maioria delas tem filhos “geminha mole”, sabe? Aqueles que moram na casa dos pais a vida toda e que aos 40 anos gritam do quarto pra mãe na cozinha “mãe faz o meu ovo com geminha mole por favor?” - Aí conhecem alguma decadente morfética qualquer no bingo da igreja, casam e levam também pra morar com os pais. E tem sempre uma pobre velhinha viciada em remédios e em limpeza que fica pensando onde que errou na vida pra ter gerado um hipopótamo míope e sem pernas e não uma pessoa que pelo menos vai até a padaria sozinha... E se a gente pergunta porque não vão viver suas porras de vidas respondem que não são bobos, que podem só ficar ali e esperar os velhos morrerem pra ficarem com a casa. É só olhar nos mercados, tem sempre um quarentão fazendo compras com alguma velhinha perdida... Bom, mas danem-se eles. O fato é que eu seria um suicida em potencial se acordasse e me visse preso nas áreas cinzas do planeta. Tá que eu não sou tudo o que queria ser, mas pelo menos não sou o que não queria. Já está melhor, ao meu ponto de vista. Sempre que sinto a chaleira ferver dou uns gritos, arranco a roupa, faço qualquer porra dessas e o vapor volta um pouco pra dentro. Por um tempo, é claro. Bom, já disse que sou uma criatura estranha né... No mínimo isso. Mas prefiro assim. Incomodo meus amigos a noite. Todos percebem quando estou com telefone em casa... Mas a escolha é deles. Geralmente minha fama chega antes de mim e todo mundo já sabe o que significa conviver comigo. Alguns vão embora, alguns voltam, ficam uns cinco minutos, lembram e estampam na cara uma vontade absurda de sair correndo gritando. Mas sempre tem um ou outro. E tenho aquele cara ,que acorda do meu lado, aprendeu a sobreviver a meus surtos e que deve ser um pouco mais maluco que eu pra estar comigo a tanto tempo.. Aí eu acordo as três da manhã, no quintal, abro uma cerveja (cerveja? que tal um toddynho?) e fico sentada escrevendo qualquer coisa esperando amanhecer, penso em todas essas coisas malucas que vivo, ignoro todos os comentários fétidos dos moralmente perfeitos e espero a vida passar, sem pressa, sem muitas perguntas.''

terça-feira, 6 de maio de 2014

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Trecho - Minhas Adoráveis Ex-Namoradas

Se arrisca. Eu não fiz isso, e olha pra mim, eu sou vazio, solitário, eu sou um trapo humano. Isso não significa que você não vai se magoar, mas uma coisa eu te garanto: qualquer dor que você sentir nunca vai se comparar ao arrependimento por ter desistido do amor. E pra alguém que já sentiu os dois, acredite, a dor aparece todos os dias da semana, e aos domingos é muito pior. Não foge dele. Não faz isso!



O poder de um relacionamento está nas mãos de quem se envolve menos... Mas nem sempre poder é felicidade.

sábado, 5 de outubro de 2013

Insistir em algo que nunca dá certo é como calçar um sapato que não serve mais. Machuca, causa bolhas, às vezes até sangra. Aí você percebe que o melhor é ficar descalço. Deixar totalmente livre o coração, enquanto vive. Deixar livre os pés, enquanto cresce. Porque quando a gente vai crescendo, o número muda. E o que você insistia em por, não lhe serve mais. Às vezes na vida, você tem que esquecer o que você quer, para começar a entender o que você realmente merece.


domingo, 18 de agosto de 2013

Eu não tenho medo de voar. Eu tenho medo de estar fechada num lugar e de ter escolhido estar fechada nesse lugar. Tenho medo porque meus pés sentem o chão mas ele é falso. Meus pés sempre me obrigam a sentir a verdade e eu sou obrigada a dizer a eles que aquele chão não dura e nem é de terra. Tenho medo do absurdo que é sorrir e dizer "guaraná normal e sem gelo, grata" enquanto se quer dizer "que merda é essa de estar voando se não sou a porra dum passarinho?". Tenho medo porque quando acabar estarei em outro lugar. Agora, se eu pudesse escolher o maior de todos os medos, eu diria "a chance disso cair agora é muito pequena". Estou sobrevoando, sem inteligência, a água profunda que aprendi a chamar de casa mas também de intervalo. A verdadeira angústia de voar é estar acima da nossa vida. Voar é tornar nossa rotina banal. Estou voando há dias, de primeira classe, com vista para o desenho de um país que não sei o nome. Ao lado de uma pessoa que, até que enfim, não é mais uma barrinha de cereal. (Tati Bernardi)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um, dois e… Quando me dou conta, já fui, me joguei.
Antes de contar até três, disse o que não era para ser dito.
Fiz coisas que não era para ter feito.
Me arrebento rápido, nem dói de tão ligeiro.
Mentira, dói de qualquer jeito.
(Martha Medeiros)